domingo, 21 de abril de 2013

Pesquisa comparativa sobre Pedagogia Waldorf na Europa


Ensino escolar: Pesquisa Alemã revela vantagens de conceitos alternativos

Waldorf, Montessori ou escola regular?
Há muitos anos, esta questão é um tema “clássico”, sendo avaliado e discutido por pais da classe média e da classe média alta. Diante da decisão de escolher uma escola para a formação dos filhos, o assunto pode se desdobrar em discussões infinitas. Hoje em dia, muitos filhos são pressionados por pais ambiciosos a mostrar desempenho. Tais exigências agravam a situação nas escolas, resultando num clima extremamente competitivo e agressivo, e isso ocorre entre crianças e adolescentes que crescem num ambiente protegido e privilegiado. Em contra partida, a preocupação com o bem-estar dos filhos aumentou. Nesse contexto, modelos escolares alternativos estão gradualmente em foco por serem considerados mais aptos a estimular o desenvolvimento das habilidades infantis sem causar o medo de competir ou falhar.
“Verdade ou mito?”
Heiner Barz, um pesquisador da área de educação da Heinrich-Heine-Universität em Düsseldorf, divulgou, em fevereiro de 2011, os primeiros resultados de sua pesquisa nacional sobre satisfação e experiências de aprendizagem de alunos Waldorf, comparando-as com escolas regulares. Oitocentos alunos Waldorf preencheram questionários e mais que 50 entrevistas individuais com pais e alunos (duração entre 2 e 3 horas) foram realizadas. Recentemente, o pesquisador apresentou para a imprensa os resultados finais em forma de livro, confirmando a primeira percepção dos resultados provisórios do ano passado.
Segundo a pesquisa, os alunos de escolas Waldorf (existe outra pesquisa independente sobre alunos Montessori) estudam com mais entusiasmo, sofrem menos com sintomas de estresse como dor de cabeça, dor de barriga ou distúrbio de sono, sentem-se menos entediados e frequentemente tem uma impressão mais positiva da escola e dos professores do que os alunos de escolas regulares. Em parte, as diferenças são significativas. Oitenta por cento dos alunos Waldorf afirmaram que sentem prazer em estudar – em comparação a 67 por cento das escolas regulares. Oitenta e cinco por cento dos alunos Waldorf consideram o clima escolar e a atmosfera de aprendizagem como agradável e sustentador – em comparação a 60 por cento do alunos das escolas regulares. Sessenta e cinco por cento dos alunos Waldorf afirmaram ter um bom relacionamento com o professor, mas somente 31 por cento dos alunos de escolas regulares disseram a mesma coisa. (Os dados obtidos dos alunos de escolas regulares se baseiam em outras pesquisas usando questionários semelhantes).
O desempenho em provas finais do ensino médio também mostra bons resultados. “Pelo que sei, não existe nenhum estado federal no qual os alunos Waldorf se saíam pior que outros”, diz Heinz Barz. A maioria deles termina o ensino médio.
Todavia, na divulgação provisória dos resultados da pesquisa, Barz destacou um fenômeno comum entre alunos Waldorf e outros: a tendência a necessitar de reforço escolar, como em matemática, línguas estrangeiras e na preparação para as provas finais do ensino médio.
Seja como for, para Andreas Schleicher, coordenador do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), o sucesso de aprendizagem nas escolas Waldorf ainda não foi apreendido de forma abrangente. Segundo ele, os resultados dos testes que a PISA realizou em escolas finlandesas bem-sucedidas, as quais adaptaram elementos da pedagogia Waldorf, mostrariam que as mesmas estimulam a aquisição de conhecimento baseada na realidade, ou seja, “naquilo que o mundo exige de nós”. Schleicher, que é contra as formas de “conhecimento instantâneo”, destaca como contraste uma forma de ensino cuja ênfase é “aplicar conhecimento de forma criativa, direcionando-o a soluções práticas em novas áreas”. Também menciona que alunos Waldorf se destacaram num estudo da PISA por “suas competências acima da média na área das ciências naturais”.
Texto original de Thomas Pany, publicado em TELEPOLIS, 27/09/2012
Tradução e adaptação autorizada: Peter Hilgeland


Fonte: http://philgeland.com/2012/09/30/ensino-escolar-pesquisa-alema-revela-vantatgens-de-conceitos-alternativos/


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